erínias

Série – desenhos, pinturas, textos datilografados

Para a série erínias, criada entre 2024 e 2025, o trabalho da memória esbarra na arqueologia. A busca de pertencimento encontra resposta na natureza e, sobretudo, em ser natureza, em “estar com” – nos moldes de Krenak e Coccia. Se a natureza permite que qualquer lugar seja o nosso lugar, na medida em que tudo o que existe se comunica e se espelha ao longe como as raízes das árvores, sem fronteiras, então os mitos de origem daqui, com os quais fui criada em uma perspectiva eurocêntrica, são o caminho para regressar, como a terra aqui me devolve à minha terra. Entre os deuses gregos, redescubro as tríades ancestrais, anteriores aos deuses olímpicos, anteriores ao início do “mundo civilizado” daquela civilização que se afirma única: moiras, erínias, górgonas, harpias.

Trinta e dois dípticos, quatro séries de oito, resultado da interação entre o meu gesto e o gesto da natureza: a água que dissolve o papel, o vento que o rasga, o fogo que queima a terra circundante durante um incêndio, o ocre do calcário molhado espalha-se… Pelas fendas de algumas imagens, cruzam-se excertos do texto trágico de Ésquilo, «As Eumênides». Cada construção é apresentada lado a lado com poemas franceses de minha autoria datilografados. Os poemas contam a história de um desencontro amoroso.

Desenho como quem escreve, escrevo como quem desenha. Costuro reminiscências e alinhavo sonhos. Meus devaneios visuais e literários são publicados no meu substack.

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